Big Brother Brasil


O Big Brother é um programa idealizado pela empresa holandesa ENDEMOL. Trata-se de uma idéia interessante que pretende "engaiolar" pessoas de diferentes naipes e matizes, visando à observação dos seus comportamentos e reações, sob condições de estresse emocional, psicológico e convivência com temperamentos distintos, em local diferenciado.

Apesar de muitos fiscais do "ter o que fazer" criticarem este modelo de programação, por entenderem que ela é um culto à inutilidade, eu a vejo com bons olhos, apesar de ser reticente quanto a aceitá-la como uma criação genial. O Big Brother tem a sua serventia. Se não tivesse, milhões de pessoas não perderiam o seu precioso tempo (mesmo não assumindo) para torcer, xingar, esbravejar e chorar junto com os participantes.

Comparo este programa a quadros simultâneos da vida real. Nele, podemos perceber quem são, de fato, as essências humanas das criaturas expostas ali, por mais que usem máscaras. Os jogadores do BBB correm atrás de um prêmio em dinheiro, ou de ter notoriedade para, quem sabe, exercer algum tipo de poder (vide Jean Wyllis).

Ao assistir o Big Brother, identificamo-nos com um ou outro participante, desejando que ele ganhe dinheiro e prestígio (como contrapartida, em razão da sua exposição, muitas vezes, constrangedora) só para vê-lo mais feliz. Costumamos, também, manifestar os nossos ódios imperiais contra alguns dos enclausurados que não seguem a nossa linha ética; mesmo fazendo (na vida real) pior ou igual ao que eles possam vir a fazer.

O telespectador, assim como um juiz togado, exerce com ampla e irrestrita maestria o seu poder punitivo contra os "pecadores aprisionados". Se eles brigam, os condenamos, se fumam, os criticamos, se criam as suas estratégias de sobrevivência dentro do jogo, os rotulamos de falsos e maquiavélicos. Lembramos tanto destes brothers que esquecemos de nós. Será que não agimos como eles?

Fico, então, com as palavras do músico Paulo Ricardo quando, inteligentemente, enche de questionamentos o telespectador/observador, "todo poderoso", esquecido da profunda semelhança entre a sua natureza e a dos integrantes do programa. O cantor pergunta: "se você pudesse me dizer, se você soubesse o que fazer, o que você faria, aonde iria chegar? Se você soubesse quem você é, até onde vai a sua fé, o que você faria? Pagaria pra ver?" E conclui: O mundo é perigoso e cheio de armadilhas, de mistério e gozo, verdades e mentiras. Viver é quase um jogo, um mergulho no infinito. Se souber brincar com fogo, não há nada mais bonito".

Autor: Gesiel Albuquerque

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