segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CAIO FÁBIO: lucidez e coragem

Tenho acompanhado a trajetória do Caio Fábio, nos últimos três anos, através das suas publicações em seu site e pelas reflexões que apresenta no programa da Vem e Vê TV. Sou avesso aos dogmas religiosos e crítico das práticas e conteúdos revestidos de angelitude, que possuem um miolo de macumbaria e demonismo disfarçado.
Não tenho nada contra os macumbeiros e demonistas. Só acho uma tremenda hipocrisia (para não dizer outra coisa), os pastores e seus seguidores condenarem tais práticas e fazerem exatamente igual em suas igrejas, porém com outra nomenclatura.
Por muito tempo, fiquei a procurar alguém com razoável lucidez neste meio, ou advindo dele, que fizesse uma crítica contumaz a essa corja de feiticeiros, que vão aos templos religiosos só para alimentar as suas máscaras sociais de bons moços e boas moças, bem feitores ou seguidores de Cristo (?).
Até que um dia, deparei-me com o Caio Fábio, no Youtube, contando, com singular veemência, os seus acertos, desacertos, ilusões e desilusões quando habitava este ambiente e gerenciava os destinos daquela gente, praticante de rituais ao diabo travestido de Espírito Santo (Deus é mais!); e que repete os erros históricos, alimentando uma ganância sem igual pelo dinheiro e pelo sexo.
Já vi o Caio Fábio se emocionar, se irritar, se compadecer e se abrir para todos os que o procuravam (e ainda o procuram) pela internet ou por cartas. Já o vi fazer revelações bombásticas sobre o caráter de alguns líderes religiosos, mostrando ao povo a verdadeira face e interesses destes pseudo adoradores de Cristo. Confesso que já me surpreendi com sua lucidez e grande poder de argumentação, coisa rara neste meio.
Só mesmo uma pessoa com coragem espiritual (que nasce do fundo do coração e de uma consciência tranquila) atinge um feito desses. Temos coragem para enfrentar ou correr dos perigos físico-naturais. Isso é instintivo. Porém, dar vazão à coragem espiritual é uma atitude dificílima a ser tomada, por um motivo simples: é preciso nos desapegarmos de todos os interesses mesquinhos, simplistas, perversos e fúteis que nos acorrentam à escravidão mental e emocional.
Para combater a podridão, é preciso sair dela, ainda que alguém leve consigo as marcas da sujeira que invadia o seu corpo.  Se assim não o for, fica impossível sustentar a verdade no olhar, nas ações e nas palavras, pois quando se combate o crime sendo ainda adepto a ele, a transformação moral se torna sujismunda, falsificada, estelionatária, e até deprimente. Este não é o caso do Caio Fábio. Ao que parece, ele conseguiu esta libertação com maestria.
Percebo verdade nas palavras do Caio, e não consigo vê-lo como evangélico; mas sim, como um filósofo, antropólogo, ou cientista social experiente, atento às mazelas do povo com o qual convivia. Registre-se: não o conheço pessoalmente e nunca conversamos, e nem estou bajulando-o. Estou apenas reconhecendo um fato raro entre os evangélicos: lucidez e coragem. Trata-se aqui da impressão que tenho dele, mediante as suas ações midiáticas.
Por discordar da sua crença bíblica, fico a me questionar como um homem, com tamanha compreensão e tirocínio, ainda se prende a conteúdos bíblicos supostamente inspirados por Deus. Perdoem-me os evangélicos, mas a Bíblia não é, e nunca foi, a palavra de Deus. Trata-se apenas de um conjunto de narrativas históricas de consistência duvidosa.
A capacidade de raciocínio do Caio a mim me parece grande. Seu conhecimento científico, filosófico e espiritual ultrapassa a média da maioria destes líderes mercadores da fé, que aparecem por aí, pelas televisões da vida. Sua fundamentação espiritual é a Bíblia, "a palavra de Deus". Embora eu discorde, eu o respeito; e respeito todos os evangélicos sinceros.
Finalmente, quero externar o meu reconhecimento a este reverendo/pesquisador, que tem contribuído muito com as suas reflexões para a construção de questionamentos sobre o que as pessoas fazem da Bíblia, e com a Bíblia,  e a quem entregam suas almas. Certamente, ele espera estimular uma mudança de paradigmas. E sobre isso, digo que o plantio é árduo e a colheita, muito pior. Mas, como diria o filósofo jogador Ronaldinho Gaúcho, “vai na fé, vai na fé.”

Autor: Gesiel Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 






  

CAUSA E EFEITO: tudo é o que tem que ser

Toda causa gera um efeito, quem planta chuva colhe tempestade, quem planta algodão não vai colher pedras”. Você já ouviu estes conceitos aplicados aos ensinos espiritualistas. Pois bem, trata-se de uma mentira. A verdade é que toda causa pode gerar efeitos diversos ou nenhum efeito. Parece complicado, mas é algo simples de entender. Causa e Efeito não têm absolutamente nada a ver com Ação e Reação. Vejamos os fatos.
As teorias espiritualistas têm associado a noção de causa e efeito à chamada Lei do Karma, com o objetivo de demonstrar que a pessoa estaria colhendo o que plantou. Ou seja, suas ações (boas ou ruins) levaram-na a uma determinada circunstância existencial. Esta concepção karmológica, na verdade, está vinculada à ideia de ação e reação, postulada pela Terceira Lei da Mecânica de Isaac Newton; e não, ao conceito de causa e efeito.
Uma ação gera uma reação com a mesma força, sentido e direção inversamente proporcionais. É o que postula a Terceira Lei de Newton. Dessa forma, uma ação só pode gerar outra reação exatamente igual, porém inversa. Trata-se, digamos, da teoria da vingança: bateu, levou. Na concepção de causa e efeito, a situação é outra. Uma causa pode gerar vários efeitos, e inclusive, nenhum.
Quem planta (causa) colhe (efeito)? Nem sempre. Se você plantar, dependendo, das condições climáticas e do solo, poderá não colher absolutamente nada. Ou então colherá além do esperado. Note que ao atrelarmos este conceito à teoria do karma, ela se torna frágil.
Com algumas sementes de milho, por exemplo, você pode colher inúmeras espigas em um pé, ou em vários. Isto é, uma causa gerando vários efeitos. Observa-se, portanto, que nem sempre uma causa gera um efeito, e nem sempre este efeito será igual em todos os aspectos.
Transpondo este conteúdo para a realidade existencial, percebemos que no universo a sistemática é esta: uma causa é igual a muitos efeitos, ou pode ser igual a efeito nenhum. Outro exemplo: às vezes, o sujeito é um assassino contumaz sem nunca sofrer um arranhão, e nem ser condenado. Então, não houve efeito. Outras vezes, o sujeito mata e passa a ser perseguido, excluído pela sociedade, ou ainda aplaudido e venerado. Portanto, efeitos diferentes.

Alguém poderá dizer, então: _ ah, é preciso saber plantar para colher bem. Nada disso. No dia a dia, percebe-se uma infinidade de situações nas quais as pessoas fazem tudo certinho, mas não têm os resultados esperados. Pare para refletir e vai comprovar o que estou falando.
Alguém, também, pode dizer: _ ah, mas a vida atual é efeito do que fizemos (causa) nas outras. Uma bobagem! Pois, a justiça divina não teria sentido algum ao permitir que os efeitos das nossas ações se dispersassem por outros mundos e vidas, indefinidamente, e se voltassem sempre contra nós. Que aprendizado seria este? Dessa forma, nunca pararíamos de sofrer, já que estamos continuamente dando causa a algo. Faz parte do jogo. E quem me garante que a causa (ação) que considero boa para mim teria o mesmo valor para os outros? Refletir é preciso.
Jesus Cristo divulgou a paz e o perdão dos pecados (causa) aos seus contemporâneos e foi morto de forma ultrajante (efeito adverso). Barrabás roubou e matou (causa) e antes de sofrer o castigo maior (a morte na cruz) foi libertado por suas vítimas sociais (efeito adverso). Gandhi pregou e agiu sob os auspícios da não-violência (causa) e foi assassinado de forma covarde por alguém a quem nunca tinha causado mal algum (efeito adverso).
José Datrino, o profeta Gentileza, (1917-1996), pelas ruas do Rio de Janeiro, pregava a gentileza (causa) como geradora de gentileza (efeito). E sempre foi tratado como um louco e idiota pelos transeuntes; e o que menos recebeu em troca foi a gentileza (Efeito adverso. Neste caso, podemos dizer que não houve efeito). Todos estes personagens teriam colhido o que plantaram? Os fatos dizem que não.
Causa e efeito não são conteúdos iguais e nem interagem reciprocamente como na lei da ação e reação. Se analisarmos bem, a noção de karma cai por terra quando compreendemos que o universo não trabalha desta forma. Estamos, na verdade, cumprindo papéis delineados pela Grande Mente (Deus) por algum propósito que ainda não conhecemos.

Portanto, nota-se que a vida é pulsante, desprovida de crenças e regras lógicas. O que existe é a força poderosa da Criação, autônoma em todos os sentidos e autoconsciente. Em síntese, tudo é o que tem que ser, e pronto. É preciso, dessa forma, refletirmos sobre conceitos e teorias supostamente coerentes, a fim de não sermos enganados pelas falsas crenças.


Autor: Gesiel Albuquerque